Reforma Tributária: primeiro grupo de trabalho inicia atividades

Responsável por discutir a regulamentação da reforma tributária, o primeiro grupo de trabalho criado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, iniciou as atividades nesta terça-feira (28).

Pedro Carvalho Analista político, Arko Advice

Em 21 de maio, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), publicou os atos de criação dos dois grupos de trabalho (GTs) para discutir a regulamentação da reforma tributária. Os GTs irão realizar quatro audiências semanalmente para discutir os projetos, que tiveram início nesta terça-feira (28). 

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Estrutura Enxuta

Os GTs serão compostos por sete deputados cada, e terão 60 dias para elaborar relatórios, com a possibilidade de prorrogação pelo presidente da Casa.

Lira disse que não haverá um relator em cada grupo, e que um relator das duas propostas só deverá ser definido posteriormente.

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“Todos serão relatores, todos serão membros. Na hora de cumprir os ritos regimentais, aí escolhemos um deles para assinar o que todos vão fazer”, declarou a jornalistas.
“Cada partido indicando um nome para este GT já dará a amplitude do debate, como foi na reforma da PEC propriamente dita”, explicou Lira. “Os textos serão formatados pelos grupos. Depois que tudo for formatado, só um transcreve”, completou.

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GT Regulamentação da Reforma 

O primeiro grupo irá analisar o projeto de lei complementar (PLP) enviado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pessoalmente a Lira em 24 de abril. O PLP 68/2024 institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS). 

O GT tem os seguintes integrantes:

1. Dep Claudio Cajado (PP-BA)

2. Dep Reginaldo Lopes (PT/MG)

3. Dep Hildo Rocha (MDB-MA)

4. Dep Joaquim Passarinho (PL-PA)

5. Dep Augusto Coutinho (REPUBLICANOS-PE)

6. Dep Moses Rodrigues (UNIÃO-CE)

7. Dep Luiz Gastão (PSD-CE)

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A primeira audiência pública ocorreu pela manhã desta terça-feira (28/5), na Câmara dos Deputados. O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) presidiu a primeira audiência, onde os parlamentares ouviram Bernard Appy, secretário-extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda.

Durante o debate com o GT, o secretário extraordinário da Reforma Tributária voltou a defender os principais pontos da proposta, como o split payment, um modelo de cobrança que separa o pagamento do imposto no ato da transação.

Segundo ele, o impacto da mudança tributária na economia será sentido no médio prazo (entre 10 e 13 anos), e vai ajudar a reduzir a pressão por aumento de carga tributária. 

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“Estamos falando aqui, provavelmente, no aumento maior que 10 pontos percentuais no PIB potencial do Brasil por conta da reforma tributária”, disse.

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Dentre as  contribuições dos deputados, destaca-se a fala do deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), que propôs a inclusão dos jogos de azar eletrônicos no Imposto Seletivo, tributo criado para desestimular o consumo de produtos danosos à saúde e ao meio ambiente.

O secretário Appy afirmou que, antes da inclusão, uma estimativa de impacto deve ser realizada, e pontuou a necessidade de calibração da alíquota, para que a taxação não gere o efeito de levar o setor para a ilegalidade. Appy disse que irá consultar a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) para levantar dados e discutir a proposta com o Parlamento.

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Bernard Appy e o deputado Augusto Coutinho lado a lado à mesa da reunião do grupo de trabalho da reforma tributária.
Bernard Appy e o deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE) durante audiência na Câmara (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados).

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As discussões continuaram à tarde, quando foram ouvidos representantes das principais confederações de setores econômicos, como da indústria e dos transportes.  A segunda audiência pública foi presidida pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA). Os deputados ouviram as demandas especificas dos representantes de diferentes setores da economia, que ressaltaram a importância de manter a coerência com a emenda constitucional aprovada no ano passado, que serve de base para o projeto em análise.

O consultor tributário da Confederação Nacional do Comércio e Turismo (CNC), Gilberto Alvarenga, defendeu como ponto mais importante da reforma a não cumulatividade dos tributos.

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“A não cumulatividade deve ser ampla e qualquer limitação deve ser pensada e analisada como uma exceção. O conceito de uso e consumo pessoal é tido pela emenda constitucional como o único limitador à não cumulatividade”, disse.

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O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) ressaltou que o maior desafio do grupo de trabalho será atender às demandas dos setores produtivos sem aumentar a carga tributária. O parlamentar também defende que o texto final deve ser claro, para evitar interpretações divergentes.

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“Eu não posso deixar que três tributaristas leiam o mesmo texto e cada um interprete de uma maneira diferente. Aí não dá. A lei tem que ser clara, simples, autoaplicável, tem muita coisa na legislação que está jogando para uma regulamentação posterior. A regulamentação por decreto, por portaria, é muito ruim, porque isso acaba mudando muito e a gente acaba não entendendo”, afirmou.

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Audiência Pública.
A segunda audiência pública do dia contou com a presença de representantes de diferentes setores da economia. Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados.

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Próximas Audiências

As demais audiências serão realizadas nas seguintes datas:

- 3 de junho, às 14h30: sobre normais gerais do IBS e CBS sobre operações;

- 4 de junho, às 9 horas: sobre o modelo operacional do IBS/CBS;

- 4 de junho, às 14h30: sobre IBS e CBS sobre exportações e importações, regimes aduaneiros especiais, regimes de bens de capital e zonas de processamento de exportações;

- 5 de junho, às 9 horas: sobre cashback, cesta básica e demais alimento;

- 5 de junho, às 14h30: sobre regimes diferenciados, profissões regulamentadas, serviços de educação e saúde, entre outros;

- 6 de junho, às 9 horas: sobre regimes específicos e continuação de regimes diferenciados.

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Prazo apertado

Há pouco mais de 50 dias para o início do recesso parlamentar, a intenção de Lira é que o formato enxuto dos GTs facilite a obtenção de consensos e que a regulamentação seja votada antes do recesso, que oficialmente começa dia 18 de julho.  

O início do recesso dificulta a apreciação de matérias complexas, pois coincide com a abertura do calendário para as convenções partidárias, quando são definidos os candidatos das siglas em cada estado, e marca publicamente o início da disputa eleitoral.

Outro desafio é que à medida que se aproximam as eleições no Congresso Nacional no início de 2025, fica cada vez mais caro para o governo emplacar as pautas prioritárias nas Casas. 

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Com informações: Agência Câmara de Notícias

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